quarta-feira, 13 de abril de 2011

Capítulo 1 - Nascimento de um cavalheiro

Em um reino distante e bastante poderoso o seu governador andava preocupado. Não com o seu império ou com impostos, ou ainda em dominar outros pequenos reinos, sua maior ambição nestes últimos dez anos de liderança, era possuir um herdeiro. Um filho que lhe desse continuidade do nome, do poder, da glória e que fosse idôneo para reinar sobre todos os seus domínios com a mesma força e autoridade que sempre se utilizou. No entanto, os deuses não faziam caso do seu sofrimento. Sua esposa, que teve o privilégio de amar, parecia uma árvore seca, que não lhe dava frutos, e procurava não mais reclamar em sua frente. Adoecia sempre que sofria um alarme falso do destino, pelo desejo enorme de ser mãe e cumprir a vontade do esposo amado e lhe dar um filho. Parecia que as divindades o castigavam e atormentavam a pobre e inocente esposa em seu lugar.
Essa agonia ainda persiste por dois longos anos até finalmente a rainha engravidar. No entanto, como não era mais tão jovem, teve necessidade de cuidados dobrados para conseguir suportar até o parto. O enorme desejo de ser mãe e a atenção sempre presente do marido e seu zelo, conseguiram finalmente lhes conceder o que mais ansiavam naquele momento de suas vidas.
Era uma noite chuvosa. Relâmpagos cortando o céu como se fossem pudim e trovões de arrepiar os ossos. Em meio a esse clima, o rei andava de um lado para o outro no corredor do seu aposento real, seus ministros tentavam acalmá-lo, mas era inútil. Sua atenção se voltava exclusivamente para aquele quarto, onde sua amada esposa lhe daria o presente de um filho. Sua ansiedade soube esperar bem, em algumas horas nasceu à criança. O chorinho dela queria apostar com os deuses a potência de barulho e disputava com os trovões o subjulgo do silêncio. Logo, a porta é aberta e o rei sem ser convidado, entra eufórico a segurar seu bebê nos braços.
– Vejam bem com os olhos pasmos a força de meu herdeiro! – o choro e os relâmpagos se confundiam. –  Quero que em tudo o obedeçam. É meu filho! E futuro rei de todos vós. – o rei erguia orgulhoso sua razão de viver e deixava a todos contagiados com sua alegria. Mas, logo em seguida, a criada retorna um pouco cabisbaixa, parando em sua frente.
– Majestade. Sua esposa... a rainha... não está bem. – aquelas palavras soaram-lhe como punhaladas em seu peito, sua fisionomia mudara repentinamente. Sua mulher não seria louca de...  Olha para o lindo bebê em seu colo, era a sua felicidade há tão pouco tempo festejada por ele com toda sua energia, e agora aquela triste notícia. Aperta-o contra o peito e dirigi-se para o quarto meio trôpego, tinha mais medo do que veria do que do inimigo no campo de batalha. O que temia o aguardava, a rainha estava deitada numa lagoa de sangue, mal escondida pelos lençóis e pálida como um fantasma. Ficou meio tonto ao vê-la naquele estado, estagnado e catatônico, sabia apenas olhá-la ternamente lembrando de sua vida junto a ela como um filme e somente ouviu quando lhe recomendou seu bebê e que o esperava no outro mundo. Sua mão rapidamente larga a sua, caindo na cama, e ele finalmente caiu em si do que havia acontecido e baixou os olhos, não quis vê o rosto lindo de sua esposa envolto no véu da morte. Ficou um tempo a lamentar a tristeza que o destino lhe dera e ergueu os lábios com cuidado para sua fronte, deu-lhe apenas um beijo simples, mas que tinha em sua ternura todo o sentimento que lhe rendia para confirmar suas afirmações e saiu em seguida do quarto. Não era necessário dizer nada. Todos sabiam o que acontecera e baixaram a cabeça em sinal de condolências.
Ainda se recuperava do choque abraçado com o filho no colo, num estado como em transe, quando a criada o interpela.
– Majestade, dê-me a menina para lhe dar leite. Chora com fome. – ele a fita alucinado, realmente não tinha percebido o choro da criança até o momento.
– O que disseste?
– Que me dê a criança para alimentá-la, pois está chorando com fome.
– Quero que repita como disse da primeira vez.
– Para me entregar a menininha?
– Por que chama meu filho assim?
– Na verdade é sua filha. Sua esposa deu a luz uma linda menininha. Parabéns, Majestade!
O rei olha para o filho como um desconsolado buscando em seu rosto a resposta que queria ouvir, mas era tão bela a sua face, tão linda sua feição que começou a desconfiar que sua criada realmente pudesse está falando a verdade. Examina, pois, a criança que apertava no colo afastando com cuidado os lençóis que a cobriam e ver claramente a verdade de que fora tão logo surpreendido. Seu semblante imediatamente muda de aspecto e com gesto grave entrega a menina à criada. Esta seria a última vez que pegaria sua menina no colo.
A criada tenta disfarçar, mas percebe a indiferença do rei em relação à filha e não demora a cuidar da menina. O funeral da rainha foi a altura do conhecido amor que ele sempre demonstrara por ela e todo o reino percebeu, que naquele momento, não estava sendo depositada no túmulo uma única alma, mas duas, pois o rei jamais voltou a sorrir depois desse dia.
O reino teria uma característica fúnebre se não houvesse todas as noites o choro da linda menina que viera habitar naquele enorme palácio. E o eco fazia sua presença marcante e muito perceptível percorrer todos os lugares. O choro começou a deixar o rei nervoso, pois queria apenas o silêncio a habitar em seu lar. Todos os criados mais próximos da menina, fizeram de tudo para que esse desejo real fosse atendido, mas para que isso fosse possível, foi preciso levá-la sempre para a ala de serviço ou mesmo para o campo. A menina era teimosa em achar o pai nos mais secretos lugares e por mais que lhe fosse sempre presente a rejeição, sua mente ingênua não entendia e brincava com suas atitudes. Não era fácil desprezar sua beleza, nem sua meiguice. Mas seu rosto, seu cabelo e seus gestos lembravam em tudo sua linda mãe e a essa lembrança o rei não conseguia suportar. Esperou que o tempo dos maiores cuidados passasse para que escolhesse dentre os seus ministros, um de sua inteira confiança para se encarregar de lhe ser o pai que ela tanto ansiava e que ele jamais poderia ser. Entre tantos, sua escolha pousou sobre Aldean, homem sério, reto, de boa índole e muito paciente. Seria um tutor ideal para a pequena. Em suas mãos ela estaria segura e teria o amor que tanto buscava.
O batismo da menina ocorreu três anos após seu nascimento e somente porque seu tutor fazia questão de que recebesse a benção de Cristo como toda criança feliz. Os preparativos foram organizados por ele e não houve festa para não ferir a tristeza persistente do rei, apesar de que todos os reinos vizinhos foram avisados da nova princesa que morava naquelas regiões. A maioria compareceu ao batizado e o comentário logo surgiu da situação dramática da pequena princesa, órfã de pai vivo. Mas ao mesmo tempo viam a alegria de Aldean com a mesma menina, que já amara como se fosse sua filha legítima.
A cerimônia ocorreu do modo mais simples e mais marcante possível, o nome da pequenina era Alex. Que todos sabiam ter sido escolhido por seu tutor e sem o desacordo do seu verdadeiro pai. Nome forte, vitorioso e repleto de grandeza, que escolheu assim que pousou seus olhos nos dela. Possuíam um brilho tão intenso e determinado, que parecia que ela mesma lhe estava indicando como gostaria de chamar-se. O sacerdote, estranhando a origem do nome, diferente do costume da terra e principalmente daquela família real lhe voltou a perguntar.
–  Seu nome será Alex. – ao ouvirem todos igualmente ficaram surpresos com a mesma razão do bispo e este terminou a cerimônia. Aldean sabia que poderia se enganar muito com relação à personalidade frágil que insistia que teria, mas tinha absoluta certeza que não erraria no nome que lhe dera. Reconhecia o poder daqueles olhos e sabia que eles poderiam fazer muitas coisas. Temia apenas quais seriam elas.
Os anos passam. A linda menina loira de olhos verdes crescia sob os cuidados de Aldean, que se tornara seu fiel amigo. Ela, porém, persistia sempre em querer a presença do pai, que não lhe concedia espaço em sua vida, mas também não a tratava mal, apenas a ignorava. Inocente que sua indiferença não era sentida pela menina, desconhecia o sofrer silencioso dela e as várias tentativas de adquirir sua atenção e seu carinho. No entanto, logo a princesa saberia o motivo de sua indiferença, quando ouve sem querer o desabafo do pai com o seu tutor sobre o desgosto de ter uma mulher no lugar de um filho homem. O que sentiu nesse instante não se sabe, tinha apenas oito anos quando isso ocorreu. E só depois de um tempo, poder-se-ia ver descer de sua linda face algumas lágrimas. Entretanto, suas atitudes foram mais enfáticas do que se poderia imaginar. Frisou na cabeça a vontade de ser menino para procurar ter o amor do pai. Com essa idéia fixa na mente convenceu seu tutor a lhe educar como um menino, sem, contudo lhe revelar suas intenções. Aldean, a princípio não concordou, mas não podia negar-lhe nada que lhe pedisse. A partir de então, aulas de esgrima, montaria, tiro com flechas e exercícios físicos passaram a fazer parte de seu dia a dia, sem nenhuma objeção do pai, que também não procurava saber nada a seu respeito.
A indiferença resultava em cada vez mais querer ser homem, até chegar ao cúmulo de certa manhã ter uma crise de nervos no quarto para cortar o cabelo. A bagunça fora tanta para impedí-la, que não tinha como o rei não ouvir e vir verificar o que estava acontecendo. Ao se deparar com a filha, com exatos quinze anos, parecia ver um anjo em pessoa de tão bela, porém, estava com a face inchada de tanto chorar.
─ O que está acontecendo aqui?
─ A princesa quer cortar os cabelos, Majestade. Tento convencê-la que não deve, mas não me ouve. – falava aflita a mucama que lhe criava junto com o tutor. A menina assim que vira o pai mudara instantaneamente a face para uma fria e ressentida, onde a predominância era o aspecto grosseiro.v
─ Isso é verdade, Alex? – sua face também não tinha um aspecto melhor, ela via tristemente, mas já conformada que sempre seria assim.
─ Ao menos sabe o meu nome, então. – fala cinicamente com certo ar de riso. Ele se surpreende com seu atrevimento.
─ Do que estás falando? Claro que sei o seu nome. É minha filha. – responde perdido, pois ainda não acreditava que daquele anjo pudesse sair palavras ditas com tanta frieza e petulância.
─ Que bom que lembrou disso também. – o rei percebeu que não era imaginação, sua filha era mesmo o gênio indomável que ouvia falar. Ficou sem ação diante do seu gesto altivo de ser e principalmente do ódio que podia ver claramente expresso em seus olhos. Sentimento esse que não entendia o porquê de existir em tão bem criada criatura.
─ Não estou entendendo aonde quer chegar.
─ Na parte que o senhor deixou de gostar de mim. Se é que isso um dia aconteceu. – o rei baixa a cabeça e fita os outros, que saem com seu aspecto, voltando a olhá-la.
─ Quem lhe disse que não gosto de ti?
─ Não é preciso que me digam. Não sou cega. – o rei a observa. Estava com camisa de manga longa, colete, calça preta e botas. Fora o cinturão da espada que lhe cingia a cintura, meneia a cabeça incrédulo e indignado ao mesmo tempo.
─ Está horrível. Veste-se como um rapaz.
─ Não é um varão que gostaria de ter? Estou tentando fazer o milagre de me transformar em um. – o rei se comove com suas palavras e a olha. Seus olhinhos pareciam implorar para que lhe desse importância. Ameniza melhor sua expressão e retorna a lhe falar tentando também melhorar um pouco a voz.
─ Não quero que se transforme em um varão.
─ Me amará se continuar como mulher? – pergunta com esperanças de obter a resposta que gostaria, mas, o rei se cala. Ela entristece a face e a enrijece novamente com a certeza que nunca seria amada por ele. ─ Pois terá o que precisa. – num golpe rápido com a espada corta o cabelo longo e sai picotando-o na frente do pai. Possuía uma agilidade em mover a espada que o surpreendeu, mas estava lhe tirando a honra de uma donzela e manchando seu nome, o rei não olhava para seu rosto triste e ressentido, apenas via a insolência de ultrajá-lo e fica furioso com seu ato.
─ As qualidades de um filho nunca terás, pois não se consegue com um simples cortar de cabelo. – Alex ringe os dentes de mágoa e desprezo, enquanto o pai se retira. Ao sair do quarto logo ouve seus prantos e sorrir, sabia que fazia isso para lhe chamar atenção. Continuava sendo uma garotinha e com esse pensamento que às vezes deixava transparecer, parecia que queria começar uma disputa com ela. Disputa essa... que perderia.
Alex começou a participar das disputas que ocorriam no palácio logo enquanto seu cabelo continuava pequeno, pois era difícil reconhecê-la como princesa com tantos gestos masculinos. Tudo quanto fazia, Aldean queria lhe impedir, mas acabava por permitir e até lhe auxiliar. Porém, seu pai lhe lançava um olhar que ela entendia como se tudo quanto fizesse ainda fosse pouco e pouco. Devido a essa insegurança e querer lhe mostrar que poderia amá-la também, passou a ganhar com mais freqüência os duelos e disputas, nunca mais havia posto um vestido sequer e ninguém jamais se lembrava de quando havia usado um e dessa forma conseguiu que até mesmo uma armadura especial se fizesse para ela. Em bem pouco tempo conseguiu a proeza de derrotar inclusive o paladino do pai e a partir desse dia, sua docilidade, meiguice e sentimentalismo desapareceram por completo. Sua ambição de se igualar à espécie masculina havia acabado. Tanto no corpo como na agilidade e estratégia, ela estava pronta, sem falar na técnica que lhe aprimorava melhor a força. Seu esforço fora recompensado pelo seu tutor que lhe nomeou general do exército do rei.
Essa decisão, porém, custou caro a Aldean, que foi denunciado ao rei por loucura e dividiu as tropas, muitos não aceitavam serem dominados por uma mulher e outros ainda lhe criticavam por querer ser homem e tão claramente. Com isso, Alex enfrentou uma tremenda crise tanto de identidade, quanto de qualificação e ainda melhor deveria ser para conquistar as tropas pelo seu valor em combate. Começou a ir para as guerras por fronteiras e combates afins sempre com a companhia do tutor, que não lhe deixava sozinha nesses momentos, mas também não a interferia em seus combates.
Seu pai, que a princípio queria também interferir em suas idas as batalhas, teve que reconhecer a contra gosto o seu valor em campo aberto. Alex começou a conseguir o respeito e admiração por quase toda tropa nos progressivos sucessos que obtinha. No entanto, após tanto tempo, depois de assistir a tanta guerra e morte, o que seu pai queria, já não podia ser mais feito. Alex não poderia mais voltar a ser uma criatura doce e meiga. Já não se sentia mais como mulher, seu andar, seus gestos e até mesmo sua voz queriam imitar e realmente davam à convicção de ser homem. Enfim, o rei tinha agora o filho homem que tanto desejara.
Alex já reunira uma escolta com mais de quinhentos soldados independentes do reino, que não somente aceitaram serem treinados por ela, mas também governados e o primeiro deles que deixou de servir ao rei para ser inteiramente seu oficial foi o comandante adjunto da guarda do rei. Aldean lhe pedira para não mais cortar o cabelo e para que nunca perdesse a moral de uma mulher, mas ela não lhe queria aceitar as palavras, pois sabia que ele falava por seu pai e continuava a cortar o cabelo e por maus conselhos de seus soldados, a participar das orgias que faziam a noite nas tabernas ou nos alojamentos onde se reuniam. Todos sabiam e a reconheciam como princesa, alguns lhes respeitavam a dor, mas todos a obedeciam. Seus cabelos cresceram novamente e como só vivia bêbada a maior parte do tempo, não percebera que isso tinha acontecido e não cortara. Porém, como as festas sempre terminavam em promiscuidade e a presença de prostitutas era uma certeza, Alex acabara caindo na lábia de seu fiel seguidor e guarda que considerava leal se tornando sua mulher em uma dessas noites. Seu tutor vira a cena no dia seguinte, o que não aprovou e logo o reino inteiro ficou sabendo. Pela manhã, ao contrário do que pensavam o povo e o pai, ela achou que era justamente essa parte do homem que ela ainda não tinha imitado e começou também a testar sua sedução e a ficar com nobres ou soldados, quem lhe agradasse a vista como julgava que assim eles faziam e perde um pouco o prestígio e o respeito. Aldean meneou a cabeça frente aos seus novos atos e se deixou ficar sempre na sala de gabinete, aonde ela uma vez por dia vinha vê-lo.
─ Não vai festejar novamente conosco, Aldean? Faz tempo que não desce para as festas? – fala brincando, mas com seu jeito impecável de andar.
─ Não quero ouvir o que dizem da princesa nesses lugares. Não a eduquei para isso. – ela lhe rodeia e o fita atenciosa.
─ Educou-me para ser uma vencedora e eu lhe agradeço.
─ Não. Não me agradeça. Não fui eu quem a deixou da forma como está. Essa depravação de sua imagem conseguiste sozinha. – fala um pouco irritadiço.
─ Do que está falando? Hoje posso dizer que em tudo sou parecida com um homem e sei que o meu pai também ver que é assim. – ele novamente meneia a cabeça.
─ Nunca julguei errado em querer ser forte, em aprender a se defender, a lutar. Mas nunca imaginei que também quisesses imitar o mesmo erro, as mesmas leviandades, possuir os mesmos defeitos.
─ Do que está falando? Quais os defeitos que imito dos homens que o senhor tanto reclama?
─ Estás perdendo o respeito pela sua pessoa, minha filha. Tal como eles fazem as prostitutas, tu fazes contigo mesma. Não vês isso?
─ Isso se chama direitos iguais. Para ser igual devo ter a mesma liberdade.
─ Liberdade não é sinônimo de imitar o errado, de cometer erros.
─ O senhor sabe o que sempre quis.
─ E sei também que por esse caminho nunca irá conseguir. Mude menina. Mas para o melhor. – ela resolve deixá-lo e partir para a festa, não entendia o que queria dizer e preferia aproveitar a noite como tinha aprendido. Aldean a via sair e lamentava do que podia fazer com uma pessoa um sentimento de rejeição. Mas não tivera outra chance de tentar fazê-la mudar de idéia, morrera naquela mesma noite do coração.
Pela madrugada Alex voltara a seu quarto para se despedir com boa noite, mas o via estendido no chão. Esse fato começou a lhe assustar e ao virá-lo e ter a certeza de seu medo em sua expressão pálida e roxa nos olhos e lábios, começa a se desesperar. Grita pelos guardas, mas estavam todos bêbados da sua equipe, mas os de seu pai que guardavam os corredores vêm em seu auxílio e o deitam na cama. Estava realmente morto. Quando o rei chega no quarto para ver o que lhe disseram, ver novamente sua menina em sua frente, seus cabelos longos e loiros espalhados pelo ombro e ela a chorar debruçada sobre o cadáver do único pai que conheceu. Ela lhe chamava de pai como sempre dissera que gostaria de ter sido e rogava que não a deixasse sozinha. O rei lembra bem desse dia, pois fora nele que desaparecera por completo todo o vestígio de uma linda, meiga e doce menina que um dia lhe anunciaram que tivera. Jamais ouvira sua voz soar com tanta doçura como daquela vez, nem seu rosto ter o menor sinal de lágrimas. O sentimentalismo de Alex, que era um resquício de sua feminilidade, morrera nesse dia.
Tendo a desilusão de sua menina pela certeza que nunca mais voltaria a ser feminina novamente e vendo que durariam mais alguns anos. O rei se casara dois anos mais tarde com uma de suas criadas, dois anos mais velha que ela. Alex lhe deu a mesma importância em relação ao seu novo casamento e nem mesmo no dia estava presente. A moça, porém, era muito simpática e uma vez ou outra tentava conversar para se tornarem amigas, mas ela nunca disse mais que três ou quatro palavras. E em relação ao pai, o tratamento se dava como um suserano ao seu vassalo e essa frieza assim permaneceu, ela, como sendo um soldado.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

O filho ideal

Não é de hoje que sabemos que os homens são os preferidos. Não é somente pela história, pelo mercado de trabalho ou mesmo pela sociedade. Nas famílias também eram fundamentais. O nome da família precisava de um filho homem para lhe dar continuidade, de um filho homem para prover o seu sustento, de um filho para ser uma família com prestígio. É. Apenas a presença de um homem na família garantia a sua existência certos privilégios. Ao homem estava atrelado o futuro daquela geração e dele dependiam todos.
E a mulher? Bem, a mulher era a mãe, a dona de casa, a esposa. Aquela criatura fraca e sem inteligência. Que apenas entendia sobre bordar, conversar sobre bobagens e se enfeitar. Essa mentalidade sobre a mulher ainda não foi totalmente excluída da mente de muita gente. Muitos ainda pensam assim. Mas imagine uma mulher que queria ser notada? Ouvida? Valorizada? Que se sentisse capaz e inteligente. O que ela precisava fazer para ser tudo isso? Simples. Nascer homem.

Bem, o romance que será aqui exposto trata justamente disso. Da luta de uma mulher para ser valorizada. E como foi descrito que as famílias preferiam e precisavam de um filho homem, é justamente no seu lar o principal lugar de sua grande luta.

Acompanhem essa linda história de Álex e riam bastante com suas aventuras para se tornar... bem, um homem.

Até!